11.05.09

Entrevista

Enviado em Futebol às 21:26 por Matheus Ribas

Semana passada, fui convidado pelo autor do blog Grand Prix no Brasil, Guilherme Machado, a responder algumas questões sobre Fórmula 1. Por não entender muito, achar um pouco sem graça e não acompanhar todas as corridas,  fica difícil escrever algo aqui a respeito deste esporte com análises precisas. Não me atreveria. Mas, sempre tem alguma coisa que chama atenção e uma hora eu poderei pelo menos emitir minha opinião. Mas sem análises! Isso vocês podem conferir lá.

Como ele não acompanha e gosta pouco de futebol (assunto que predomina aqui no blog), o objetivo é mostrar o que ele pensa a respeito do assunto assim como o que penso eu sobre Fórmula 1. Abaixo seguem as perguntas que fiz  pra ele. Não trata-se de uma entrevista longa e sempre considero importante as opiniões alheias sobre assuntos distintos os quais gostamos de observar e falar. No blog dele, encontram-se as minhas respostas Confere aqui e depois confere lá, ok? Segue…

1) Quando e como surgiu teu interesse pela Fórmula 1?
GM:“Acho que foi no Grande Prêmio da Bélgica de 1998. Naquela época eu não tinha dimensão nenhuma do que era o esporte, então só gostava de ver acidentes (risos), e aquela corrida foi bastante farta nisso! Eu estava dormindo e lembro que meu irmão me chamou correndo pra ver um acidente (bem famoso) em que, segundo ele, “todos os carros bateram ao mesmo tempo”, mas na verdade foram 13 carros que se empilharam depois da primeira curva. Mas eu adorei o jeito com que os carros cortavam pelas curvas e retas no meio daquelas florestas, enquanto caía um dilúvio. Achei fascinante!”
2) Quais são os pilotos que tu mais gosta e por que? Vale inclusive os que já morreram e os que não correm mais.
GM:“Essa pergunta é difícil, por que são muitos! Da “safra” atual, sou fã de carteirinha do Kimi Räikkönen, Robert Kubica e Sebastian Vettel. Todos são muito rápidos e cada um tem seu quê de especial: o Kimi é um piloto dos anos 70 perdido na época atual, não liga pra entrevistas nem eventos, ele simplesmente corre, e muito! Gosto do Robert por ele ser “obscuro”, pois é um polonês e o país dele não tem tradição na F1. E admiro o Vettel pois ele é simplesmente um dos maiores talentos que apareceram, do mesmo calibre do Hamilton. É apenas a segunda temporada completa dele e ele foi vice-campeão.
Dos antigos, meu mestre será sempre Michael Schumacher. Foi torcendo por ele que meu amor pelo esporte atingiu outros níveis. Também tenho um imenso respeito por Sir Stirling Moss, definitivamente o melhor piloto da história que nunca foi campeão.”
3) Qual ou quais as corridas que te marcaram?
GM:“Essa é fácil: os GPs do Brasil de 2006, 2007 e 2008. O de 2006 foi porque era a última corrida do Schumacher. Ele tinha que ganhar e contar com que Alonso não marcasse nenhum ponto, mas em um momento da corrida o Michael teve um pneu furado e caiu pra último, quase uma volta atrás do Massa. Foi aí que ele deu um show, uma corrida de recuperação que eu nunca tinha visto, terminando em quarto. Se ele não tivesse o pneu furado, ele ia dar uma volta no segundo colocado!
A corrida de 2007 foi especial por marcar o título do Kimi, que era a “zebra” da disputa. Eu comemorei muito com os problemas do Hamilton naquela corrida (risos). Estava tão nervoso que não consegui assistir o final.
Já a de 2008 não precisa nem de explicação – foi simplesmente a melhor decisão de campeonato da história. Tudo foi de arrepiar: a vitória do Massa, o Vettel ultrapassando o Hamilton, que ficou desesperado tentando ultrapassar de volta e só conseguiu a posição que precisava o último instante. Tenho a certeza de que ví a história sendo escrita, e poderei dizer aos meus filhos: “Decisão de campeonato boa foi em 2008!”.”
4) Qual sua opinião sobre o escândalo que marcou a temporada deste ano?
GM:“Qual deles (risos)? Teve tantos… Difusor duplo, caso da mentira do Hamilton, FIA x FOTA, Nelsinhogate…
Com certeza os piores foram os dois últimos. O caso do Nelsinho foi um absurdo, injustificável em qualquer situação. A que se vê é que certos indivíduos querem resultados acima de tudo e de todos, mesmo que isso signifique ameaçar a segurança de dezenas de pessoas, enquanto esses pilotos fabricados de hoje não têm “culhões” para contrariar seus chefes. Fica difícil dar uma definição a essa atrocidade, mas a palavra que mais se aproxima é “crime”.
Já a briga da FIA contra a FOTA mostrou que o esporte corre muito perigo na mão de interesseiros, gente que quer promover suas marcas e lavar dinheiro. Para nós, a F1 é um esporte, para eles, um grande business…”
5) Qual a tua opinião quanto ao futebol? Porque não gosta? E qual o esporte de tua preferência depois da F1?
GM:“É agora que eu apanho do teu público…
Não tenho nada contra o esporte em si (a proposta é até interessante), e sim com a importância que a sociedade brasileira dá a esta m**da. “Onze entre dez” guris de escola dizem que seu sonho é se tornar jogador profissional e matam as aulas de português e matemática para ficar jogando uma “pelada” no meio da rua. Às vezes se tornam marginais nesse processo. Para os adultos, é um ópio, é o circo. A situação familiar pode ser degradante, pouca comida na geladeira, contas para pagar e etc, mas enquanto ele estiver no barzinho tomando uma cerveja assistindo ao jogo de seu time preferido, tudo estará ótimo.
Sinceramente, não assisto nenhum outro esporte, fora vôlei masculino, mas apenas em época de Olimpíadas. Acho legal de assistir, mas não me pergunte quem são os jogadores da Seleção Brasileira…”
6) Por que escrever um blog sobre F1? O que te levou a isto? Tens a dimensão do tamanho do teu público (quantos lêem diariamente)?
GM:“Talvez seja a união da minha compulsão por escrever com o meu esporte preferido.
Criei vontade de ter um blog lendo os blogs de Becken Lima (F1 Around) e de Clive Allen (F1 Insight). O blog do Becken é ótimo, pois sempre alía notícias recentes com análises ótimas por parte do autor, e seus leitores sempre extendem o assunto muito além da proposta inicial na seção de comentários. Já o blog do Clive é um inspiração. Ele é um escritor profissional e é mais velho que a própria Fórmula 1, então seu conhecimento é imenso. Os posts dele sempre esbanjam estas duas qualidades, sendo sua prosa a mais agradável de se ler hoje sobre a F1.
Meu blog é, de fato, um embrião. O número de visitantes é irrisório se comparado com outros por aí, mas para quem não faz divulgação, até que os número estão bons. Em quatro meses de existência, já tive mais de 1.600 visitas. A média recentemente é de 20 leitores por dia, caindo um pouco gradativamente, já que o campeão foi decidido há duas semanas.”

E o cara escrevia tudo em inglês quando começou. Espero que tenhan gostado. As minhas respostas estão lá no Grand Prix no Brasil. Confiram.

Até mais…

1 Comentário »

  1. Cau disse,

    Muito interessante !!!! Adorei a iniciativa de misturar os assuntos nos dois blogs, é bom saber o que pensam aqueles que não são fanáticos por futebol.

    PS: Li tuas respostas…


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